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Sentir falta da vida antes dos filhos é normal? Entenda o luto da identidade

Sentir falta da vida antes dos filhos é normal? Entenda o luto da identidade

A chegada de um filho é, sem dúvida, um marco de transformação profunda. No entanto, em meio a fraldas, noites sem dormir e a nova rotina, é muito comum que uma pergunta surja silenciosamente na mente de muitas mulheres: “É normal sentir falta da vida antes dos filhos?”.

Se você já se pegou olhando fotos antigas com uma pontada de saudade da sua liberdade, do silêncio ou da sua autonomia, saiba que você não está sozinha. Esse sentimento não faz de você uma mãe menos amorosa. Na verdade, ele faz parte de um processo psicológico legítimo chamado luto da identidade materna.

Neste artigo do blog Ser Mãe, vamos mergulhar nessas emoções sem julgamentos, ajudando você a entender por que sentimos esse vazio e como reconciliar a mulher que você era com a mãe que você se tornou.

O que é o luto da identidade na maternidade?

Quando um bebê nasce, uma mulher também “morre” para dar lugar à mãe. Certamente, essa frase parece forte, mas ela descreve com precisão a sensação de perda de referências que muitas enfrentam. O luto da identidade é o período em que a mulher precisa processar o fim de uma fase da vida para integrar a nova realidade.

Sentir falta da vida antes dos filhos geralmente está ligado à saudade da espontaneidade. Antes, você decidia o que comer, quando sair e quanto tempo dormir sem precisar coordenar a logística de outra vida. Reconhecer que essa transição é difícil é fundamental para a sua saúde mental.

Por que a saudade da vida antiga gera tanta culpa?

Infelizmente, vivemos em uma cultura que romantiza a maternidade de forma extrema. A ideia de que “o amor compensa tudo” faz com que muitas mães escondam sua tristeza por medo de serem julgadas. Consequentemente, a culpa materna (que já discutimos aqui no blog) se torna o combustível para o silenciamento dessas dores.

É importante compreender que sentir saudade da sua liberdade não é o mesmo que não amar seu filho. São sentimentos que coexistem. Você pode amar profundamente a criança e, ao mesmo tempo, lamentar a perda da sua antiga versão. Validar essa dualidade é o que impede que a tristeza se transforme em um quadro de depressão ou ansiedade severa.

O desafio de se reconhecer no espelho após o parto

Além da mudança na rotina, existe a mudança física e profissional. Muitas vezes, a mulher olha para o espelho e não reconhece o próprio corpo ou sente que sua carreira e hobbies foram deixados em segundo plano.

Na maternidade de gêmeos, esse sentimento pode ser ainda mais acentuado. A demanda em dobro consome tanto tempo que o espaço para o “eu” praticamente desaparece nos primeiros meses. Se você está passando por isso, lembre-se: a intensidade desta fase é temporária, mas a dor de se perder de si mesma precisa de atenção agora.

Como lidar com o sentimento de perda de liberdade?

Para navegar por esse período de forma mais leve, algumas mudanças de perspectiva são necessárias. Confira estas orientações para acolher sua história:

  • Dê nome aos seus sentimentos: Admitir que você sente falta da sua vida antiga é libertador. Fale sobre isso com pessoas de confiança.

  • Reserve micro-momentos para você: Pode parecer impossível no início, mas 15 minutos fazendo algo que lembre a “sua antiga versão” (ouvir uma música, ler um capítulo de livro) ajuda a manter o vínculo consigo mesma.

  • Evite comparações: Cada maternidade é única. O que você vê nas redes sociais é um recorte editado, não a realidade emocional completa.

  • Pratique o autocuidado emocional: Entenda que cuidar de você não é um luxo, mas uma necessidade para que você consiga cuidar do seu filho.

Integrando a mulher e a mãe: O novo capítulo

O objetivo não é voltar a ser quem você era — afinal, a maternidade traz aprendizados que mudam nossa essência para sempre. O objetivo é integrar. Você ainda é aquela mulher inteligente, independente e cheia de sonhos, mas agora essas características ganharam uma nova moldura.

Aos poucos, a rotina se ajusta e você começa a encontrar espaços para retomar antigos hábitos ou criar novos. O luto passa, e o que fica é uma versão mais resiliente e profunda de si mesma.


Perguntas Frequentes sobre Identidade Materna (FAQ)

1. É normal querer “fugir” da rotina materna às vezes? Sim. O desejo de pausa é uma resposta do corpo e da mente ao cansaço extremo e à sobrecarga sensorial. Isso não define sua capacidade como mãe.

2. Quanto tempo dura a sensação de perda de identidade? Não existe um tempo exato, mas costuma ser mais intensa no primeiro ano de vida do bebê (ou dos bebês). Com o aumento da autonomia da criança, a mãe tende a recuperar seus espaços.

3. Sentir falta da vida antiga pode ser sinal de depressão pós-parto? Pode ser um dos sintomas. Se a tristeza for persistente, impedir o cuidado com o bebê ou vier acompanhada de apatia profunda, é essencial buscar ajuda profissional.


Conclusão

Entender que sentir falta da vida antes dos filhos é uma etapa comum da jornada materna ajuda a tirar o peso das suas costas. Você é humana, e humanos sentem saudades de tempos mais simples. Acolha-se, respeite seu tempo e saiba que este blog é o seu espaço seguro para essas verdades.

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